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Bocage
Bocage

SONETO DO EPITÁFIO

 

Lá quando em mim perder a humanidade

Mais um daqueles, que não fazem falta,

Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,

Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

 

Não quero funeral comunidade,

Que engrole “sub-venites” em voz alta;

Pingados gatarrões, gente de malta,

Eu também vos dispenso a caridade:

 

Mas quando ferrugenta enxada idosa

Sepulcro me cavar em ermo outeiro,

Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

 

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro;

Passou vida folgada, e milagrosa;

Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro”.

 


 

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“A história me precede e se antecipa à minha reflexão. Pertenço à história antes de pertencer a mim mesmo”.

RICOEUR, Paul. Interpretação e ideologias. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A., 1977, p. 39.

 

 

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